A primeira coisa que deveria dizer seria, provavelmente, «I shall say...»: é que grande parte da plataforma referente ao programa «Microsoft Partners in Learnig» se apresenta em inglês e, quando surge em português, a tradução é de má qualidade, talvez devido à sua natureza automatizada. Mas não é esse o ponto fulcral que me leva à escrita deste atual comentário.
Em primeiro lugar, devo dizer que considero este programa da Microsoft um programa de «marketing» e não um programa «educativo». É certo, uma forma muito sofisticada de «marketing», mas na verdade o mesmo tem como seu objetivo último, e provavelmente único, a criação de uma horda de consumidores passivos e pouco inquisitivos de produtos da referida marca, não estimulando realmente o sentido criativo na utilização de recursos abertos e tendencialmente universais. Se assim fosse, estaríamos antes perante um programa de formato similar ao desenvolvido pela Raspberri Pi Foundation, o qual promoveria o desenvolvimento de habilidades ao nível da programação e desenvolvimento, todo essencialmente suportado por software em código aberto, i.e., naquilo que no Brasil por vezes se designa de «software livre» (do Inglês, «free software», apesar dos conceitos de «free software» e «open source» atenderem na realidade a duas concepções filosóficas distintas, personalizadas em Richard Stallman e Linus Torvalds, o que se perde em geral nesta tradução para português em uso no Brasil).
Sou do tempo em que os computadores «mainframe» ocupavam espaços consideráveis, possuindo memórias RAM na ordem dos 16 a 64 kb (isto é, de 16384 a 65536 bytes, sendo cada byte constituído por um octeto de bits capaz de representar cada um, um 0 ou 1, modelo conceptual em voga após o lançamento da série 360/370 da IBM na década de 1960).
Lembro-me do meu primeiro computador pessoal ser um ZX81 (fui assinante da revista inglesa «Your Computer»), tendo ainda possuído um Jupiter ACE, ambos construídos em torno de um CPU Z80 de 8 bits, muito em voga à época (juntamente com o 6502 da Motorola), na primeira metade da década de 1980. Para mim, a utilização de computadores tornou-se sinônimo de programação, inicialmente em BASIC (um pouco de Assembler), e mais tarde FORTH (tive ainda no Liceu Pedro Nunes algumas luzes de COBOL e FORTRAN IV utilizado em terminais teletipo ligados por telefone a uma empresa em Campo de Ourique que vendia acesso em «time sharing» ao seu computador «mainframe», tendo feito parte da equipa deste Liceu que ganhou um segundo premio nas primeiras olimpíadas de informática que se realizaram em Portugal, há mais de trinta anos atrás).
Tempos mais tarde utilizei o MSDOS (também o DRDOS da Digital Research) e o WINDOWS 3.0 e 3.1, bem como o WINDOWS 95, mas já por essa altura tinha sido iniciado ao Linux (lembro-me que a primeira versão que instalei de raiz sozinho foi uma RedHat 4.2, da qual penso ainda possuir o respetivo CDROM, com um Kernel 2.0 já com a possibilidade de carregamento de módulos dinâmicos, não tendo o referido Kernel que ser compilado de forma monolítica como acontecia na sua versão 1.x). Desta forma, sempre continuei a entender a tecnologia como uma ferramenta, sendo que nunca senti interesse em utilizar um computador (ou mais recentemente, uma consola) para jogar ou outro tipo de atividade que implicasse o uso iminentemente passivo do mesmo.
Desta forma, vejo com alguma repulsa e preocupação programas similares ao referido «Microsoft Partners in Learning», dado os mesmos terem como seu objetivo último a construção de consumidores passivos das marcas que estão por detrás destes. De educativo, pouco ou nada têm. Se procurassem ter esse tipo de dimensão, então o seu formato teria que ser similar ao programa atualmente desenvolvido no Reino Unido pela Raspberri Pi Foundation. Quanto aos produtos da referida marca (Microsoft), não posso deixar de salientar a sua fraca qualidade na relação custo/benefício, até porque hoje há em geral ferramentas baseadas em modelos de desenvolvimento propostos pela Free Software Foundation, ou pelo menos em modelos de desenvolvimento baseados em Open Source (como é o caso do Android para plataformas móveis), os quais não só têm desempenho idêntico ou mesmo superior, como o seu licenciamento ocorre por uma fração ínfima do preço dos primeiros (em muitos casos, mesmo de forma gratuita).
Assim, não posso deixar de sentir alguma repulsa por este tipo de programas, nomeadamente quando os mesmos servem para instituir práticas de negócio monopolista, como é o caso que tem acontecido em Portugal nos últimos anos, quer no e-Escolas (o «famoso» «Magalhães» mais não é do que um Intel Classmate que surgiu como resposta ao que o OLPC representava de ameaça para certos setores da indústria, nomeadamente para a tradicional indústria de PCs onde a Microsoft detém uma considerável quota de mercado), quer em todo o plano tecnológico nacional, basicamente fundado de forma a manter a completa predominância em Portugal de soluções de baixa qualidade atendendo à sua relação custo/benefício, nomeadamente se atendermos às alternativas tecnológicas já existentes, para a implementação das quais temos gente muito competente, nomeadamente no âmbito Universitário. Dada a «crise» de finanças públicas vigente que todo o tipo de cortes tem permitido em pensões e salários, não seria esta também uma área mais do que prioritária onde se deveria cortar?
Em primeiro lugar, devo dizer que considero este programa da Microsoft um programa de «marketing» e não um programa «educativo». É certo, uma forma muito sofisticada de «marketing», mas na verdade o mesmo tem como seu objetivo último, e provavelmente único, a criação de uma horda de consumidores passivos e pouco inquisitivos de produtos da referida marca, não estimulando realmente o sentido criativo na utilização de recursos abertos e tendencialmente universais. Se assim fosse, estaríamos antes perante um programa de formato similar ao desenvolvido pela Raspberri Pi Foundation, o qual promoveria o desenvolvimento de habilidades ao nível da programação e desenvolvimento, todo essencialmente suportado por software em código aberto, i.e., naquilo que no Brasil por vezes se designa de «software livre» (do Inglês, «free software», apesar dos conceitos de «free software» e «open source» atenderem na realidade a duas concepções filosóficas distintas, personalizadas em Richard Stallman e Linus Torvalds, o que se perde em geral nesta tradução para português em uso no Brasil).
Sou do tempo em que os computadores «mainframe» ocupavam espaços consideráveis, possuindo memórias RAM na ordem dos 16 a 64 kb (isto é, de 16384 a 65536 bytes, sendo cada byte constituído por um octeto de bits capaz de representar cada um, um 0 ou 1, modelo conceptual em voga após o lançamento da série 360/370 da IBM na década de 1960).
Lembro-me do meu primeiro computador pessoal ser um ZX81 (fui assinante da revista inglesa «Your Computer»), tendo ainda possuído um Jupiter ACE, ambos construídos em torno de um CPU Z80 de 8 bits, muito em voga à época (juntamente com o 6502 da Motorola), na primeira metade da década de 1980. Para mim, a utilização de computadores tornou-se sinônimo de programação, inicialmente em BASIC (um pouco de Assembler), e mais tarde FORTH (tive ainda no Liceu Pedro Nunes algumas luzes de COBOL e FORTRAN IV utilizado em terminais teletipo ligados por telefone a uma empresa em Campo de Ourique que vendia acesso em «time sharing» ao seu computador «mainframe», tendo feito parte da equipa deste Liceu que ganhou um segundo premio nas primeiras olimpíadas de informática que se realizaram em Portugal, há mais de trinta anos atrás).
Tempos mais tarde utilizei o MSDOS (também o DRDOS da Digital Research) e o WINDOWS 3.0 e 3.1, bem como o WINDOWS 95, mas já por essa altura tinha sido iniciado ao Linux (lembro-me que a primeira versão que instalei de raiz sozinho foi uma RedHat 4.2, da qual penso ainda possuir o respetivo CDROM, com um Kernel 2.0 já com a possibilidade de carregamento de módulos dinâmicos, não tendo o referido Kernel que ser compilado de forma monolítica como acontecia na sua versão 1.x). Desta forma, sempre continuei a entender a tecnologia como uma ferramenta, sendo que nunca senti interesse em utilizar um computador (ou mais recentemente, uma consola) para jogar ou outro tipo de atividade que implicasse o uso iminentemente passivo do mesmo.
Desta forma, vejo com alguma repulsa e preocupação programas similares ao referido «Microsoft Partners in Learning», dado os mesmos terem como seu objetivo último a construção de consumidores passivos das marcas que estão por detrás destes. De educativo, pouco ou nada têm. Se procurassem ter esse tipo de dimensão, então o seu formato teria que ser similar ao programa atualmente desenvolvido no Reino Unido pela Raspberri Pi Foundation. Quanto aos produtos da referida marca (Microsoft), não posso deixar de salientar a sua fraca qualidade na relação custo/benefício, até porque hoje há em geral ferramentas baseadas em modelos de desenvolvimento propostos pela Free Software Foundation, ou pelo menos em modelos de desenvolvimento baseados em Open Source (como é o caso do Android para plataformas móveis), os quais não só têm desempenho idêntico ou mesmo superior, como o seu licenciamento ocorre por uma fração ínfima do preço dos primeiros (em muitos casos, mesmo de forma gratuita).
Assim, não posso deixar de sentir alguma repulsa por este tipo de programas, nomeadamente quando os mesmos servem para instituir práticas de negócio monopolista, como é o caso que tem acontecido em Portugal nos últimos anos, quer no e-Escolas (o «famoso» «Magalhães» mais não é do que um Intel Classmate que surgiu como resposta ao que o OLPC representava de ameaça para certos setores da indústria, nomeadamente para a tradicional indústria de PCs onde a Microsoft detém uma considerável quota de mercado), quer em todo o plano tecnológico nacional, basicamente fundado de forma a manter a completa predominância em Portugal de soluções de baixa qualidade atendendo à sua relação custo/benefício, nomeadamente se atendermos às alternativas tecnológicas já existentes, para a implementação das quais temos gente muito competente, nomeadamente no âmbito Universitário. Dada a «crise» de finanças públicas vigente que todo o tipo de cortes tem permitido em pensões e salários, não seria esta também uma área mais do que prioritária onde se deveria cortar?
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