terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sobre o eventual chumbo pelo PSD do Orçamento para 2011

Portugal é um país fajuto. Quando o PSD, com a sua atual liderança, põe a possibilidade de um eventual chumbo do Orçamento de Estado para 2011, cai o Carmo e a Trindade. Então não é que, para muito português, mesmo não concordando, havendo inclusive razões econômicas para saber que, sem crescimento, não há solução para o buraco em que nos metemos; que o atual Primeiro Ministro não é pessoa de palavra, pois o acordado em Maio último com o PSD, ao nível do chamado PEC II (Plano de Estabilidade e Crescimento), não foi cumprido minimamente no lado da despesa; e são estes mesmos que querem um cheque em branco para a aprovação de um orçamento recessivo, «ignorando» que historicamente as políticas recessivas só tendem a agravar os problemas econômicos e não a resolve-los? Ah, peço desculpa, não estudaram história econômica...
E o mais interessante é que, se o PSD fizer com que a proposta «iluminada» de Orçamento, apresentada pelo PS, não seja aprovada, o Governo se demite, procurando provocar eleições que, por razões constitucionais, só poderão ser para lá depois de Maio de 2011, garantindo a vitória ao PS nessa sua estratégia de vitimização: é que o português é assim mesmo, por mais incompreensível que isso possa ser para uma qualquer estrangeiro.
Se o orçamento não for aprovado não é nenhum drama, ao contrário do dramatismo que alguns setores gostam de colocar ao tema. Mal vistos internacionalmente, já estamos por muitas razões, incluindo as econômicas. Há vinte cinco anos que vivemos de esmolas e créditos da Europa. Esse modelo não é sustentável. Penso, pois, que pode ser preferível nenhum orçamento a um mau orçamento, nomeadamente se o mesmo vier a impedir o crescimento econômico. Contundo, queremos crescimento sem demagogias. TGV (Trem Bala) e novo aeroporto devem ser projetos abandonados definitivamente pelas próximas décadas. São inúteis do ponto de vista do crescimento econômico sustentado a longo prazo, e limitam-se a servir certas clientelas, nomeadamente a alimentar o caixa dois do partido político que estiver no poder no momento da concessão de mais uma parceria público-privada, um dos muitos garrotes que temos ao nível das finanças públicas, a estourar em breve... e uma das razões pelas quais o FMI coloca, nas suas previsões, Portugal como a pior economia europeia em 2015.

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