Li o seguinte comentário no Semanário Expresso, na sua versão online, o qual resume a essência do ser português que ainda perdura:
Porque pensam que o Estado Novo durou tanto tempo? Pela repressão? Mentira. Com a excepção para alguns indivíduos ou organizações políticas, o resto do "pessoal" temia a mudança.
Fui refractário, no ano que o homem morreu [1972]; portanto convivi uma boa parte da vida no "ambiente". Aparte os portugueses que fugiam para o estrangeiro; por motivos políticos, para evitar o serviço militar ou como emigrantes, os restantes iam “vivendo”.
Com excepção de membros do PCP e mais um ou outro carola, os restantes pugnavam pelo empreguinho, ordenadozinho e feriazinhas. Ser do “contra” era mal visto socialmente e até perto dos anos 70, “todos” achavam que o Ultramar era nosso por direito.
O Regime era desprezado em todo o mundo, mas a maioria estava convicta que a culpa era do mundo.
Nós somos os mesmos; fugimos mais da “mudança” que o diabo da cruz; mantemos no íntimo, um enorme “respeitinho” pela autoridade.
Preferimos o “mal” que conhecemos, que uma “melhoria” que desconhecemos. Adoramos que o Poder garanta que cuida de nós. Que diabo, somos portugueses…
[...]CM84
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